terça-feira, 27 de março de 2007

página 06 e 07


Entrevista parte 02

Pergunta:
Mas eu sempre tive a impressão de sua obra "The Dark Side Of The Moon" estar intimamente ligada a dramas pessoais - o medo do tempo e da morte - inclusive de sua própria vida ao invés de assuntos sociais e políticos de alcance nacional ou global; excetuando, é claro, as aparições de filmes de políticos no telão círcular nas músicas "Lunatics" e "Brain Damage".

Roger Waters:
Eu acho muito válido lidar com esse assuntos sugerindo mensagens subliminares. Na letra da música "Time" -
"Longe demais além dos campos, o som da batida dos sinos de ferro chama os que tem fé aos seus joelhos para
ouvir as mágicas e suaves palavras em discurso" - temos uma referência a religião. Mesmo sugerindo que a
religião não deixa de ser uma forma de superstição, uma crença em mágica. Eu era, e ainda sou altamente suspeito quando o assunto é dogma religioso.
A ideia de Deus criando o homem a sua semelhança sempre foi altamente absurda
para mim. Quero dizer, no estágio que estamos de informações científicas e descobertas que temos hoje no século XXI, é necessário um grande repensar desses dogmas que são cada vez mais difícies de se defender. Em contra partida, é muito interessante e razoávelmente aceitável a idéia da evolução. A idéia de evoluir de um peixe ou anfíbio é hoje muito mais sólida do que os dogmas de palavras e gestos mágicos ou seres sobrenaturasi que as religiões insistem em ainda pregar.
Eu acho significado para a vida numa série de questões palpáveis: Como devo conduzir minha vida hoje e amanhã?
Quais são meus reais sentimentos sobre tudo e sobre mim? Posso estender minhas preocupações construtivas a outras pessoas que não sejam minha própria família? etc. Estou otimista de que em todo mundo há cada vez mais grupos de pessoas tentando "abraçar" o próximo num desejo de empatia e benevolência. Vejo alguns nos concertos respondendo positivamente a essas preocupações que também fazem parte do meu trabalho. Foi o que vi em Atenas, Estambul e Israel.

Pergunta:
Gostaria de ouvir sobre este concerto em Israel que gerou muita controvérsia sobre fazê-lo ou não?

Roger Waters:
Sim, envolveu muita discussão, principalmente com um coreógrafo palestino que tentou me converser de nunca me apresentar em Israel. Muitos palestinos de organizações artísticas estavam contra. Inicialmente estava decidido de me opor a tocar em Israel pela ocupação deste país de territórios palestinos. mas depois recebi várias cartas de pessoas que se opunham as ações do próprio governo israelita dizendo que deveria realizar o show para ajudar na causa dos Israelitas que estão em posição contrária à guerra e à ocupação de terras palestinas. Para acentuar esse pensamento de paz desses israelitas decidi tocar em Israel movendo o show de Tel Aviv para Neve Shalom, uma vila pacífica em Israel onde judeus, árabes e cristãos vivem juntos numa sociedade baseada em cultivo de terras, onde todas as crianças de todos os três grupos freqüentam a mesma escola. O show foi num campo aberto próxima a vila e foi, sem dúvida, o maior show que já foi realizado em Israel. Foram 54 mil pessoas! No final fiz um pequeno discurso, mesmo com o perigo de ser ridículo, pelo grande número de pessoas que presenciou minha performance e, principalmente, pela familiaridade com minhas idéias e minhas perspectivas políticas do mundo.
Finalmente, acredito que essas pessoas são a nova geração de israelitas com uma outra visão que os tornarão
responsáveis e capazes pela paz na região, eles poderam "derrubar o muro". A resposta e o show foram ótimas.
Acho que posso ter realmente contribuído com algo para aquelas pessoas.

segunda-feira, 26 de março de 2007

página 04 e 05


Entrevista parte 01

Na proximidade do início do segundo estágio da turne mundial do álbum "The Dark Side Of The Moon", Roger Waters reflete sobre o progresso da mesma até agora, assim como a continuidade da temática do seu trabalho e sua longa carreira.

Pergunta:
Se eu me lembro corretamente, o que orginou a turnê "The Dark Side Of The Moon" foi um convite para uma única apresentação sua no circuito Magny Cours, na França. Seis ou sete músicas foram arranjadas rapidamente para a apresentação e logo o projeto foi crescendo e ganhando a proporção do set atual. Você chegou a tocar em lugares que nunca havia tocado, com ou sem o Pink Floyd. Como todo o desenvolvimento desta turnê realmente aconteceu?

Roger Waters:
Foi ótimo! Várias pessoas aparecerem com lugares já planejados. Alguns eu tinha grande interesse - Atenas e Estambul onde eu nunca tinha tocado antes - Elas me confirmaram que há um grande número de pessoas em todo o planeta com grande ligação com o álbum "The Dark Side Of The Moon" e à suas idéias e sentimentos, ligação esta muito próxima à minha. As músicas trouxeram de volta o entendimento do quanto minhas preocupações e motivações se pareciam com às de minha audiência, e o tamanho da empatia que criei com esse trabalho.
Quando eu vivo o momento de comunhão com os fãs nos concertos, porque não deixa de ser um tipo de comunhão, percebo profundamente uma necessidade urgente no mundo, mesmo que ainda não da maioria, de discutir uma forma de solucionar a falência das principais filosofias que guiaram nossa vidas em toda a história - religião, economia e política - e que uma nova forma de política que solucione as questões humanas mais aterradoras no mundo é extremamente necessária. Sinto que há um clamor entre as pessoas por bom-senso na sociedade, e que a resposta ao meu trabalho, meus pensamentos é uma pequena demonstração dessa necessidade global.

página 02 e 03

Essas duas imagens correspondem ao índice do livreto, um lindo trabalho de luz! Aqui podemos ver o "set" inteiro e em ordem do show da Apoteose.

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domingo, 25 de março de 2007

capa interna


Capa interna do livreto. Mais uma belíssima reinterpretação da capa oficial do "dark side". Inclusive, esse movimento do arco-íris esteve presente no telão, de nitidez incrível diga-se de passagem, num dos momentos mágicos do show... Alguém lembra qual foi?

Até a próxima!

capa externa


Como prometido vou "iniciar pelo começo". A capa em lombada quadrada igual a de um vinil duplo. Lindo upgrade da tradicional e oficial capa do "the dark side of the moon". Acompanhe o blog que estarei postando ao longo desta semana todo o conteúdo e a entrevista do Roger Waters.


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